A vida 2.0 como ela é (ou “There’s no place like 127.0.0.1”)

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computer-nerdDepois do advento e proliferação da internet, me habituei a pagar contas, comprar CDs, DVDs e livros na comodidade do meu quarto. Costumo manter contato diário com amigos e baixar revistas, séries e filmes que demorarão meses para dar as caras por aqui. A internet, hoje, faz parte de minha vida de tal forma que tenho dificuldades sérias para lembrar como era minha rotina antes dela. E eu a considero o anticristo digital.

Vivo com a internet como um fumante inveterado. Posso não estar nem estar fumando, mas o cigarro tem que estar por perto. Dia desses, tive um daqueles momentos “faltou luz mais era dia”: A rede da empresa que trabalho foi para o espaço e não havia um único micro que pudesse receber mails ou acessar o Twitter. Cara! Aquilo me agoniou de forma sinistra. Não tinha nenhum trabalho para fazer dependendo da net, mas só em não vem nada verdinho no meu Gtalk, sentia como se estivesse com molho de tomate na gravata ou um baita rasgo nos fundilhos. Tive que sair para tomar um e encontrei metade da empresa no estacionamento. Com a mesma justificativa, diversas pessoas que não precisavam estar online para trabalhar, estavam à espera de um milagre para poderem voltar a produzir.

Já tive minha fase de recluso por conta da internet, quando jogava online (sim, sou este tipo de nerd, mas limpinho). Cheguei a mandar a família passear, para passar o fim de semanaem Paragon City, “upando” meu personagem e implementando meu super-grupo. Isso tudo conversando com outros sem vida como eu, via Skype. Isso deve explicar algumas coisas sobre minha pessoa, mas hoje estou mais tranqüilo.

Depois de passar 32 horas em um “Double XP Weekend”, a base de Doritos, Coca-Cola e Bis passei a acreditar que, assim como os cartões de crédito, tudo mais deve ter um limite também. Ao me deparar com um mendigo barburú, no espelho do banheiro, e perceber que a luz do sol me fazia gritar como Kirsten Dunst em “Entrevista com o Vampiro”, resolvi abraçar a vida real de volta. Mas só depois de mandar uns mails pendentes e verificar meus scraps no Orkut.

Ainda hoje, às vezes, ligo o micro ao acordar, antes de escovar as canjicas e isto só para ver mails, baixar uma música que não sai da cabeça ou qualquer narcótico do gênero. Estou tentando renegociar minha relação com meu micro, mas ele é um deus ciumento e caprichoso. Sério: se eu der mole, minha vida social fica igual a de um peixe beta. Na verdade, acho que isso é apenas uma questão de tempo. E de realizar o sonho do aquário próprio.

17 mar|2009



COMENTÁRIOS

  1. Felipe Rocha disse:

    Cara… Ficar sem Internet no trabalho é realmente Foda.

    POr isso que hoje em dia eu sempre carrego comigo um Pendrive com muitos Revistas, Desenho e Filmes.

    Não é a mesma coisa, mas na falta da internet, dá para colocar a leitura em dia.

    Hahahahahah……

    Grande Abraço!!!

  2. tati disse:

    AI, te entendo perfeitamente, Fábio! Não dá pra viver sem Internet. Nem quando fui pro Havaí fiquei sem passar rapidinho por uma lan house, só pra ver o que estava rolando! hehehhehe

  3. Laila disse:

    Eu já fui assim !!! Sabe qual foi o melhor remédio pra mim? Tirar a internet lá de casa… eu acordava e já ligava micro direto, primeira coisa do dia. Só consegui melhorar depois de limar a internet em casa. Juro que de vez em quando sinto falta, mas foi melhor assim, evitando sempre o primeiro gole, digo o primeiro click.
    Também não imagino minha vida sem internet, mas juro que queria conseguir abstrair um pouco mais.
    Quanto ao aquário próprio é só uma questão de tempo, espero ser convidada pra cozinhar no áquario novo, qq coisa sem ser nhoqui de banana !!!
    Beijos

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