Bastardos Inglórios (ou “Kill Führer”)

3 comentários »

Quentin Tarantino deixou de ser diretor de cinema já há algum tempo. O cara virou uma marca, um estilo, uma etiqueta. Um filme de Tarantino é um filme de Tarantino, com um bando de elementos que só o diretor consegue conduzir com a mão certa, apesar de Robert Rodrigues tentar de todas as formas provar o contrário.

Com isso e apesar disso, podemos dizer que “Bastardos Inglórios” (“Inglorious Basterds”, no original) é o filme mais maduro do diretor/vocalista do Skank.

O filme é todo embalado em coisas de fora da área de conforto do diretor. Tem roteiro linear, nenhum grande ator esquecido pelo tempo carecendo de redenção e nenhum diálogo afiado sobre cultura pop. Parece pouco, não é? Mas todos os filmes do cara, até os até este momento, eram basicamente isto. Não, não estou desmerecendo a obra do cara. Pelo amor de Deus! Mas é assim que ele trabalha e é assim que ele consegue compor personagens que em menos de cinco minutos já são velhos conhecidos.

Não dá para contar muito sobre o filme, mas adianto que quem for ao cinema pensando que vai esbarrar com um banho de sangue nazista, vai se enganar. E também, não vá esperando fidelidade com fatos históricos, pois não há. É mais fácil encarar o filme como um Star Wars de Tarantino: temos uma guerra imensa acontecendo, mas acompanhamos o lado de uma pequena “aliança rebelde”, onde sabemos mais das personalidades e feitos dos personagens através de sua fama, e não do que vemos na tela. Se em um minuto temos o Tenente Aldo Raine convocando sua pequena companhia de “Bastardos”, no outro já os temos consolidados como os matadores de nazistas mais motherfucker de toda a história.

Cabe aqui falar dos dois personagens que guiam a trama: Aldo Raine e Hans Landa. O detalhe aí é que, em alguns momentos, seria bem difícil dizer quem é o protagonista e quem é o antagonista, uma vez que levamos em consideração as motivações e atos dos dois. Mas nazistas são sempre evil, então você já sabe quem é quem.

O primeiro é Brad Pitt, no melhor John Wayne / Clark Gable que o cinema já viu. Sim, o Sr. Jolie consegue juntar a presença e o carisma de dois dos maiores astros que Hollywood já criou, para montar o Tenente que lidera a inglória campanha. Você tem certeza que Tarantino está filmando mais um western a cada vez que o personagem de Pitt entra em cena, com seu estilo cowboy e seu sotaque redneck. O personagem é claramente um clássico da época, tipo de herói bi-dimensional, mas não no mau sentido. Ele não tem “profundidade” de propósito mesmo, afinal o cara é um soldado anti-herói, com problemas com autoridade, que tem gosto em cumprir esta ordem específica. Não precisamos saber mais do que isso. Já o Coronel Hans Landa é o contrário. Extremamente e exatamente o contrário.

Enquanto, nas fileiras aliadas temos o “herói de ação”, temos, com o Reich, um dos melhores vilões já criados no cinema. Sério.

O ator austríaco Christoph Waltz encarna o nazista definitivo. Esqueça o Hitler de “A Queda”. Esqueça os nazis de Indiana Jones. Esqueça até Ian McKellen em “O Aprendiz”. O Coronel Hans Landa é o cara mais frio, eloquente e carismático que o Reich poderia criar. Isto sem falar na inteligencia, sagacidade e ferocidade, que transborda de seus atos, bastante contidos na maioria das vezes, mas que, quando libertos, demonstram o porque de existir aqulea enorme tensão toda vez que aparece na tela. Landa é um articulador nato e, durante o tempo que “passamos juntos”, faz com que você um ódio tão especial por ele, que deseja vê-lo morrer de tantas formas diferentes e por tantas mãos diferentes quanto possível. Com certeza, este é o melhor personagem já criado por Tarantino.

O filme serviu, principalmente, para que eu tivesse certeza de que ainda não há, no cinema, vilões tão fodásticos como os nazistas. Você tem ódio dos caras de graça, não importa o quão simpático, jovial ou engraçado o cara seja. Em alguns momentos, me senti como se estivesse no Coliseu, vendo prisioneiros lutando contra leões e, assim como os romanos faziam, eu estava torcendo para os leões! Parece que temos embutidos, quase como um instinto, uma sede de sangue nazista e é incrível como é bom ver um deles ser morto ou punido, mesmo quando isto acontece de forma covarde.

Acredito que o Talibã vai ter que comer muito arroz com feijão para conseguir ameaçar este posto.



Selo peixe Grande 2009

21 out|2009



COMENTÁRIOS

  1. Fábio Scaffo, o Homem Baixo disse:

    Cara, quando eu comecei a escrever sobre o filme, tinha em mente falar sobre as mulheres, Eli Roth, a trilha sonora e uma pá de outras coisas. Mas quando vi o tamanho que o texto ficou, tive que cortar algumas opiniões para não transformar isto numa critica de Arnaldo Jabor…

  2. Leonardo disse:

    Christoph Waltz é a grande surpresa do filme, um ator excepcional mesmo. Ouso dizer que deixa o Brad Pitt na sombra. Aliás, O ex-Tyler Durden passa o filme inteiro tentando fazer cara de Popeye! E tem também as bombas: Eli Roth pode ter se destacado como roteirista, mas o sujeito é um péssimo ator. Ou melhor, ele faz boas expressões faciais (o olhar de ódio até que é razoável), mas, quando abre a boca, parece o cigano Igor… “on crack”! E a Shonanna?! Vcs não falaram sobre as mulheres do filme, meus caros! O filme é “maomeno”… O bom mesmo, como em todo filme do Tarantino, é a trilha sonora.

  3. Laila disse:

    Hans Landa é foda, Tarantino é foda, o filme é foda !!! Eu não tenho tanto ódio assim dos nazistas (ou parem de falar mal da família!) hahahahahah. Tenho mais ódio do Talibã !!! A única coisa que pecou pra mim no filme foi o nada a ver com os fatos históricos, mas acabou ficando divertido !!!
    Beijos

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