Crítica: A Origem (ou “Peões e piões”)

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Faz tempos que não rola uma crítica por aqui. Além da falta de tempo paciência, não estava rolando nada nos cinemas que merecesse ser mencionado. Tirando Toy Story 3, que foi um lapso da minha parte não escrever uma linha sobre…

Então, na semana passada, assisti ao novo filme de Christopher Nolan, Inception (ou, inexplicavelmente, A Origem no Brasil) e acabei saindo do cinema com aquela sensação de que ainda não estava sofrendo pleno efeito do que acabara de presenciar.

A história do filme não é simples e vou recorrer a sinopse oficial: “Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um ladrão eficiente que está entre os melhores na arte da extração: roubar segredos valiosos de dentro dos confins do inconsciente durante o estado de sono, quando a mente se encontra mais vulnerável. Esta rara habilidade tornou Cobb um perito cobiçado no traiçoeiro novo ramo da espionagem corporativa, mas também o transformou em um fugitivo internacional e o levou a sacrificar tudo aquilo que amava. Agora Cobb tem uma chance de redenção. Uma última oferta de trabalho poderá lhe devolver sua vida normal, mas para isso ele deverá encontrar o que é impossível – a origem. Ao invés de executar um assalto, Cobb e sua equipe de especialistas precisam realizar o inverso; sua missão não é roubar uma ideia e sim plantar uma. Se conseguirem, este poderá ser o crime perfeito“. Eu falei que não era muito simples.

Não tenho moral para falar dos símbolos do filme (como o totém, o arquiteto de sonhos, a revolta do subconsciente) e nem acho que neste blog tenha espaço suficiente para isso, mas garanto que A Origem, apesar de ter uma dinâmica normal de um filme de assalto, é um obra para ser descascada e interpretada do começo ao fim. E que fim!

Quem segura nossa mão e nos serve de guia na viagem que é o filme é Ariadne, a novata do bando e arquiteta de sonhos, interpretada pela coisinha-linda-de-papai Ellen Paige. Como ela, estamos perdidos no grande plano do Cobb e seu parceiro Arthur (Joseph Gordon-Levitt, realmente despontando), que ainda envolve um mestre em disfarces, um químico com um supersedativo e o cliente que contratou o golpe, vivido por Ken Watanabe.

Sinceramente, não dá para falar muito da trama sem estragar, mas o que nos é entregue por Nolan, que também é “culpado” pelos excelentes Amnésia, O Grande Truque e os dois Batmans mais recentes (Begins e The Dark Knight) é um filme tão polidimensional, quanto a estrutura dos sonhos mostrada nele. Temos, obviamente, como fio condutor de tudo, a jornada do personagem de DiCaprio em busca de sua volta ao lar, mas não há como não ficar preocupado com cada um dos envolvidos no processo, pois até os coadjuvantes que aparecem menos são bem construídos e carismáticos.

Ah! Gaste um pouco deste dinheiro suado e vá ao cinema. Este é um daqueles filmes que não tem a mesma graça ver em casa, mesmo que você tenho uma puta TV de 60 polegadas, seu marajá! A cena de luta no “hotel giratório”, os “chutes” que os personagens sofrem para acordar e várias outras sequências foram pensadas – como na maioria dos filmes já feitos – para serem vistas numa tela gigante de cinema. E esse é um daqueles que merecia um Imax…

E se você já viu e gostou do filme, dê uma lida na revista Inception: The Cobol Job, que é um prequel do filme, mas em quadrinhos. Você pode ler no site ou baixar o PDF. É contigo mesmo.

12 ago|2010
Arquivado em: Cinema



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