O que leva um ser humano submeter outro àquela conversinha de elevador? Sério? Ou sou só eu que rezo com devoção para que a porta do elevador se feche antes que entre mais alguém?
Tenho verdadeiro terror daquele clima que se instala, quando a porta fecha, e você sente que aquela figura, que passará não mais que um minuto e meio com você, acha que deve dizer algo. O clichê “ta quente hoje, né?” é para matar um. O “né” funciona como uma armadilha. É ele que separa um desabafo, um pensamento solto, de um convite para falar de sudorese, trânsito ou sobre meu peso. Não, não é sobre o peso das pessoas, ou o peso do mundo moderno. Meus vizinhos, principalmente, gostam de comentar sobre meu peso, no pouco tempo que trafegamos juntos entre andares. “Parrudo” e “fortinho” foram os eufemismos já usados. Isso quando não me confundem com meu irmão, 20 quilos mais magro e 20 centímetros mais alto.
Dia desses, quando cheguei à portaria, havia uma vizinha que faz Fidel Castro parecer um mudinho, segurando a porta do elevador, muito educadamente, me esperando. Como estava morto de vontade para ir ao banheiro, depois de ter passado mais de 2 horas engarrafado, no percurso Galeão-Niterói, e a paciência estava na reserva já, disse que iria “pegar a correspondência”, e que ela poderia ir na frente. Passei para a caixa de correio, onde cruzei as pernas feito uma menininha e contei até 10, para dar tempo dela subir e quando voltei, lá estava ela ainda. “Tive pena de você e resolvi esperar. Deve estar cansado. De gravata, com o calor que fez hoje, né?”. Confesso que, neste momento, mantive a dignidade, mas pinguei. A viagem até o andar dela foi tranqüila, já que estava tão pelas tampas que não ouvi nada, mas a hora que ela segurou a porta, depois de já ter saído do elevador, para terminar de falar sobre os problemas com os sensores de luz do prédio, eu tive uma vontade, quase irracional, de morder os dedos dela.
O elevador ainda tem o poder de funcionar como um divã expresso.
Algumas pessoas parecem acreditar que ao perguntar “e aí, tudo bem?”, você está dizendo “que cara é essa? me conte tudo, pois temos tempo”, e desfiam o rosário sobre problemas de tireóide, vazamentos intermináveis, a cachorra da vizinha (em mais de um sentido) que faz barulho à noite toda e o maldito calor que fez o dia inteiro. Pessoas sensatas sabem, e tomam como regra de boa convivência, que um “e aí, tudo bem?” ou um “como vai a vida?” é equivalente direto à “bom dia/boa noite, vamos ficar quietos até chegar ao meu andar”. Simples assim! Pode parecer cinismo ou sei lá o que, mas é a dissimulação que transforma a vida em sociedade em algo agradável e possível. Mas me deixa fechar isto aqui, pois isto é assunto para outro post e estou segurando está porta já há algum tempo.
Depois que eu chamei uma “mae” de “vó” no elevador, eu nunca mais puxei papo.
Agora em todo elevador que entrar vou dizer “fábio?”.. se ninguém responder me sentirei segura pra ficar tagarelando.. hahahahaha
hahahahaha
muito bom… a débora vai pirar, pois esse é um tema que está na nossa pauta também. o pior que a minha digníssima tem uma tal ‘boquita’, ou seja, sempre, eu digo sempre, que tem mais gente no elevador, ela começa a rir, sem controle, exatamente pela obrigação de que não pode rir. elevador pra gente tb já rendeu muitos risos e raivas.
Tô com uma amiga sua (não sei o nome) que disse que tem que publicar!!
Maciel
concordo em gênero, número e grau ! odeio conversas de elevador principalmente sobre assuntos metereológicos !
Beijooooos