G.I. Joe – A Origem de Cobra (ou “ Uma Tropa do Barulho”)

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G.I. Joe – A Origem de Cobra Scarlett
Confesso que esse era um filme que estava na minha lista de “Filmes que só vou assistir quando passar na TV”, desde que estava acompanhado os cartazes e trailers que iam sendo liberando aos poucos. Estava achando tudo muito genérico e sem nada que empolgasse. Aquele grupo de soldados coloridos, que fizeram a minha infância, estava reduzido a um punhado de gente normal vestindo roupas pretas emborrachadas estilo “X-Men – O Filme”.

Mas, num dia desses, acabei vendo um cartaz com a Scarlett (veja aí do lado e me diga que não vale a pena!) em um desses trajes emborrachados e… Opa! De zero subiram para 50% as chances de que eu visse essa que prometia ser mais uma obra insignificante para o cinema, que não faria de mim uma pessoa melhor, e que me faria pensar quão melhor teria sido economizar o dinheiro da passagem e do ingresso e comprado 300 gramas de mortadela e dez pãezinhos.

Queria descansar a cabeça, então chamei meus amigos e fui ao cinema no horário mais cedo (e barato) possível, pois discutir com o pessoal como um filme pode ser ruim, não deixa de ser um esporte sadio e relaxante. Mas, não é que, no final das contas, acabei me surpreendendo! O filme é bom!!

Duas Turmas da Pesada

gi-joe-the-rise-of-cobraA sinopse do filme é, resumidamente: Dois soldados Duke (Channing Tatum?? Talvez fique mais famoso depois desse filme) e Ripcord (Marlon Wayans, ator dramático, que fez filmes pesados como “Réquiem para um Sonho” e “ As Branquelas”) estão com sua tropa escoltando “a arma mais eficiente de todos os tempos”, quando são atacados repentinamente por misteriosos soldados mascarados comandados pela super-morena cheia de estilo, a Baronesa (Sienna Miller). A tropa é toda dizimada e só sobram os nossos dois heróis que são salvos pelos, mais misteriosos ainda, G.I. Joes, que são a elite dos soldados de todo o mundo, uma espécie de Cirque du Soleil militar. Os dois pedem para entrar na tropa e conseguem demonstrar com sua força de vontade e dedicação que merecem entrar para o grupo ajudar a salvar o mundo.

Mais genérico impossível, certo? Mas é aí que o filme ganha força, pois a partir daí, abrem-se várias possibilidades, que vão surgindo de modo natural e gracioso (exageeero…). O grupo dos “Joes”, por exemplo, formados por: Ruiva Nerd (do cartaz), Negão Mal Encarado, Mexicano Alegre e Snake Eyes, o imponente Ninja Preto, que consegue ser muito carismático e cheio de personalidade. Percebi que, se eles fossem como eu queria, com a personalidade exteriorizada através de suas indumentárias, se tornaria um excesso, uma redundância de algo que já foi conseguido com o desenvolvimento dos personagens, que, apesar de não ter guardado o nome de quase ninguém, me apeguei, de certa forma.

Do mesmo modo aconteceu com Duke, cuja história do filme circula e que apesar de aparentar e agir como típico soldado americano dos filmes, consegue fazer com que a gente torça por ele e se interessar por sua história. Melhor ainda é Ripcord, que consegue ser levado a sério, mesmo sendo o alívio cômico do filme.

Ah… Mas o que eu gostei mesmo no filme foram os vilões. Mais sortidos impossível! Além da rebolativa Baronesa, temos o mestre dos disfarces Zartam (o Imhoteph de “A Múmia”. Aliás, como o diretor é o mesmo de “ A Múmia” você pode jogar uma espécie de “onde está Wally” e achar todo o elenco do filme!) o excêntrico vilão de mangá “The Doctor”, o amargurado McCullen, com ancestrais comerciantes de armas, e Storm Shadow, o Ninja Branco e safado desde pimpolho. Todos muito bem desenvolvidos, com seus passados e seus fantasmas.

Uma Aventura Muito Louca

cinema-gi-joe-the-rise-of-cobra-2Sim! Acho que, com o que já escrevi, dá para perceber que esse filme tem história!! Eu queria apenas ver cenas de ação, explosões, ruivas e ninjas pulando sobre carros voando, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. Isso realmente bastaria, pois as cenas de ação são realmente fantásticas e empolgantes, mas o pouco de história que sobra nos espaços das cenas também contribuem muito com a diversão! Temos flashbacks que não são de maneira nenhuma incômodos, mesmo aparecendo várias vezes durante o filme. Temos revelações inesperadas dignas das melhores novelas mexicanas (sério! Eu me surpreendi quando foi revelado que —opa!) e temos motivos quase aceitáveis para ficar salteando pelas mais diversas localidades do planeta!

É claro, que o que temos de roteiro não é o suficiente para ganhar um Oscar, Palma de Ouro ou Kikito, tem os seus furos, incoerências e muitas vezes fazem você parar e pensar: “Opa! Para tudo! Mas por que raios…Ah! Esquece…” , como na primeira missão que nossa dupla de heróis participa, os novatos tem que impedir a destruição da torre Eiffel, que obviamente pode matar centenas de pessoas, enquanto os veteranos ficam no furgãozinho dando apoio moral. Acha que essas coisinhas de nada estragam tudo? Nada! Só contribui para melhorar a dinâmica do filme!

Snake EyesOs dois ninjas são um show à parte. A origem de suas rivalidades, que surgiu em suas infâncias, e que parece que foi escrita por Jean Claude Van Damme de tão galhofa (mas mesmo assim interessante!), contrasta com a beleza das lutas e dos seus movimentos que parecem extremamente naturais e muito pouco com coreografia.

Porém nem tudo nesse filme foi uma maravilha! Se há algo que realmente me incomodou muito, me deixou indignado e me fez erguer uma bandeira de protesto, foi o terrível “beicinho ninja”! Pelo que via antes, a roupa de Snake Eyes era uma emborrachada roupa ninja, com uma viseira underground e ponto. Ótimo! Menos é mais! Mas nããão, alguém deve ter dito: “Oras pois, este punk não fala! Mas vamos colocar uma boquinha fazendo beicinho em sua máscara e tirar toda a sua dignidade!” o diretor olhou, olhou e disse: “ Upa lêlê! Já é!”.

Mas no final de tudo o saldo foi super-positivo. Não sei se é porque eu não tinha expectativa nenhuma, e não lembrava quase nada da antiga (nem tanto assim) animação feita somente para vender bonequinhos, mas acabei me divertindo muito com o filme e sai empolgado do cinema, com vontade de ver dezenas de seqüências desses novos Comandos em Ação na telona.

PS: Ah! Fiquei até o final dos créditos e não tem nada de ceninha extra!

12 ago|2009



COMENTÁRIOS

  1. Fábio Scaffo, o Homem Baixo disse:

    É engraçado como filmes baseados em videogames tendem a ser uma bela porcaria, mas filmes baseados em brinquedos tem se mostrado legais. Não estou, obviamente, considerando “He-Man” que é absurdamante terrivel e capaz de causar danos cerebrais irreversíveis.

    Vou dar uma oportunidade à G.I. Joe, assim que tiver alguma oportunidade sobrando.

  2. Mila disse:

    Kra, 300 gramas de mortadela e dez pãezinhos na sua área é um pouco caro né?
    dá até pra pagar o cinema e a passagem….hahahahahaa
    Mas gostei bastante do seu breve comentário sobre o filme e verei com certeza!

  3. Daniel Moto-Moto disse:

    é isso aê!!! mais do que um visitante, um colaborador!! Bem-vindo PT!!!

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