O pior de “Inimigos Públicos” (“Public Enemies“) é que ele não irá enterrar a carreira de Michael Mann de vez. Não, o filme não é ruim assim, é apenas mediano e é aí que está a coisa: Mann é perito em filmes medianos.
O cara consegue uma boa história, um bom elenco e faz um filme que não vou comprar, nem quando estiver a R$ 9,90, na Americanas, por tão inexpressivo que é. Sério, está nos meus planos re-comprar “A Praia” (longa história o lance do “re-comprar”), mas não vou levar este.
Em 1995, Mann já deveria ter levado uma bala na testa de suas pretensões como diretor, quando conseguiu Pacino e De Niro, como antagonistas, em um filme policial e fez o também mediano “Fogo Contra Fogo”. Sério, o cara consegue dois dos maiores atores de Hollywood, ambos no auge, e não faz o filme do século?! Sim, é um bom filme – e virou algo tão cult que vão lançar um jogo de videogame –, mas, novamente, se estiver passando, no Telecine, no mesmo horário de “Máfia no Divã” ou “O Novato”, na TNT, vou acabar assistindo a um filme dublado e com comerciais. Não, isto já é exagero…
Cara, para você ver: 3 parágrafos e nada de filme, não é?! Mas é isso, não há muito para dizer de uma obra que consegue mais estardalhaço por ter sido filmada em formato digital e não em película, do que pela história em si. O que deveria ser absurdamente estranho, já que temos Dillinger, um dos assaltantes mais pops que os EUA já criaram, interpretado pelo sempre bom Johnny Depp.
E falando no ator, vemos o cara aqui, apenas ganhando dinheiro. Sabe aquela ultima hora de trabalho, na sexta-feira? Aquela em que você ainda está no escritório, analisando algo, fazendo alguma coisa qualquer, mas a cabeça já está em casa, de Havaianas (ou Kenner, como preferir), curtindo aquele fim de semana tranquilo que só existe em nossa imaginação? Este filme foi assim para Depp. O cara empresta o rosto a Dillinger, mas não oferece mais 10% de esforço. Não vou nem mencionar o arroz-de-festa Christian Bale, já que ele deveria ser chamado de participação especial. Se existisse algo como atuação sampleada seria a de Bale neste filme.
Então, novamente, o cara tem os atores, tem a história e não consegue extrair emoção nenhuma? Na boa, pare de ler isto aqui e vá pegar uma outra crítica. Pode ser a do Omelete, ou do Globo, sei lá! Mas repare que, falando bem, ou falando mal, todas rassaltam a mesma coisa: a técnica de filmagem em formato digital. Isso! O fato do filme não ser filmado em película é mais exaltado que o filme em si. Eu, particularmente, preferia ter assistido à uma boa história filmada a partir de um celular.
Concordo!
Você tem toda a razão sobre Michael Mann, apesar de eu gostar do estilo dele, para os padrões de Hollywood é bem mediano. Acho que o unico filmes dele que fugiu ao padrão (dele), foi “O Último dos Moicanos”. Abraços!!!