Lá vou eu! Lá vou eu! (ou “Me acorde na quinta”)

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Enfim chegamos ao fim de fevereiro que, este ano, trás consigo a maior festa do mundo: é o Carnaval, minha gente! E eu o odeio profundamente.

Durante 4 dias, o Brasil vai parar completamente para que distintos senhores possam usar maquiagem sem medo de serem felizes, para que as ruas fiquem fedendo a urina e para que todos possam aplicar a velha piada sobre ‘a Mangueira entrando’ em algum incauto. Enfim, felicidade para todo lado!

O último carnaval que “curti” foi mais ou menos aos 17 anos, quando o que não podia ficar pior ficou e aquela maldita espuma em spray se popularizou como um pôster da Viviane Araújo em uma mecânica de Nova Iguaçu! Dali em diante, decidi que abraçaria minha nerdice (ou nerdeza, sei lá) e gastaria meu tempo de forma mais proveitosa e em lugares com menos gente, o que me rendeu boas viagens à Maromba, Friburgo e outros lugares, além de aproveitar cinemas mais baratos e Niterói quase tão vazia quanto a cabeça da Kelly Key.

Mas como nem tudo são flores, nossa grande festa hedonista esfrega em nossos rostos, sem dó nem piedade, aquelas “celebridades” que ninguém conhece e seus “projetos misteriosos que ficaremos sabendo no decorrer do ano”, as coberturas especiais do Amary Jr. de bailes carnavalescos que mais parecem o portfólio do Pitangui, a cara sorridente de Carlinhos de Jesus, sambando de ladinho em todos os programas e sambas enredos com nomes tão indecifráveis quanto teses de doutorado (tipo “Metamorfoses: Do Reino Natural À Corte Popular Do Carnaval – As Transformações Da Vida de Vila Isabel” ou “Voilà Caxias! para Sempre Liberté, Egalité, Fraternité. Merci Beaucoup Brésil ! Não Tem de Quê”). Não vejo nada disso, mas só saber que está passando em algum lugar, já me faz mal. Deve ser o mesmo sentimento que o Netinho tem quando pedem a ele para cantar “Mila” pela octagésima vez, pois “Mila” está para o carnaval como “Então é Natal”, da Simone, está para os festejos do menino Jesus.

Aliás, e os flashs de Salvador, hein? Acho que o que me dá mais raiva no carnaval é aquele bando de “Adventistas da Quarta-Feira de Cinzas”, que aguarda ansiosamente a second coming de Dodô e Osmar, pulando atrás de Durval Lélys, como se o ignóbil fosse Moisés dividindo o Mar Morto. Fora que o carnaval da Bahia é aquela coisa que parece que, a qualquer momento, alguém vai gritar: “Todo mundo nú e ninguém é de ninguém”!

Não, nunca vou achar saudável ficar bêbado até dizer chega e beijar tantas garotas quanto consiga em quatro dias, enquanto se perde a audição diante de um Trio Elétrico do Inferno da Claudia Leite. E não vou nem mencionar o fato do gosto musical, pois gosto é igual a… nariz (apesar de acreditar que, se tu gosta de axé, teu nariz com certeza é horrível), mas sim por ter fortes restrições a beijos por tabela, além de um cagaço federal de doenças e o perigo de comprar “gato por lebre”. Tenho um amigo que, em um carnaval desses, se apaixonou loucamente por uma mulher que ele jura ser linda de morrer, mas que a galera garante ter um gogó maior que o do Casagrande, além de ter a cara do Casagrande. 

O carnaval é isso aí, gente! Um pouco de “Zirigui-dum balaco-baco teleco-teco”, um pouco de “Cara caramba cara caraô (Camaleão! Camaleão!)” e um monte de “Não acredito que fiz isso” para o resto da vida! 

Não troco a tranqüilidade da minha programação, deste ano, por nada neste mundo. Não vou trocar meu filho por blocos, nem filmes por desfile e nem a piscina por praia alguma. Mas até que trocaria cerveja por vodca. Quem sabe, com sorte, no ano que vem…

20 fev|2009



COMENTÁRIOS

  1. Anonymous disse:

    Meu caro Scaffo! Ímpar este Blog… Cara, tenho o lido a poucos dias pois vi o link do mesmo no seu gmail/gtalk ou outra ferramenta de controle comportamental do Google.

    Vida longa a quem se assume baixo! Continuarei lendo e já penso em voltar com o meu… vamos ver…

    Espero que todos da tua família estejam muito bem. Watchmen vem aí… aguardo comentários.

    Beijos no seu coração!

    Ary (de um passado remoto, se você se lembrar, quando éramos pomposos e nada cientes das durezas dessa vida)

  2. Felipe Rocha disse:

    Inapaie- o encontro mágico de Duque de Caxias e Monteiro Lobato no Pantanal Matogrossense do terceiro milênio! Maravilhoso!

    Hhaahahahahahahh….. Muito Foda!!! Tô me amarrando no seu Blog. Maneirissimo!!!

  3. tati disse:

    Odeio carnaval tb. Pra mim, quem se empolga cantando “mamae eu quero mamar” na rua com cheiro de mijo tem que morrer!!!
    Mas tenho um marido que toca em bloco. Coisas da vida, néam?

  4. Maciel disse:

    Muito bom, nego! Assino embaixo. Com uma exceção: até que a Kelly Key sabe das coisas! Ah, adorei os títulos gigantes de enredos de escola de samba e o lance do/da Casagrande… huahuahuaha

    Escrevi um texto parecido, sobre a loucura que é o carnaval e tal, depois dá uma lida lá no tiagotenorio.wordpress.com

    Jundas, nego!

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