O palhaço é sempre a favor do erro (ou “Ficar sóbrio não é solução”)

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beer_clown

Depois do primeiro porre, o mundo fica diferente.

Lembro da primeira vez que enchi a cara para ficar ruim mesmo e lembro bem da sensação de estar completamente bêbado: era como se pela primeira vez, o botão do “foda-se” tivesse sido acionado no modo turbo. Nada me preocupava, nada me assustava e não tinha nada que não pudesse ser dito – aliás nada deveria ficar guardado, escondido! Eu tinha 16 anos e por sorte – ou azar – não tinha muita coisa pra contar. Em compensação, descobri que mulheres falam mais sacanagem que os homens, que uma amiga tinha um namorado cujo órgão sexual pareceria com um gancho e que outra menina era ruiva de verdade. Eu me apegaria a estas lembranças no dia seguinte, durante minha primeira ressaca, quando tive certeza que todas as pragas do Egito estavam atacando minha cabeça por dentro.

A ressaca, como diz Veríssimo, é “a prova de que a retribuição divina existe e que nenhum prazer ficará sem castigo”. É na ressaca que você jura que nunca mais coloca uma gota de álcool na boca, incluindo bombons de licor e anti-séptico bocal. Na ressaca, descobrimos que tudo têm seus altos e baixos – todos os sons são terrivelmente altos e sua vontade de ver a cara de alguém é incrivelmente baixa – e voltamos a ser meros mortais – ou menos que isso.

Ainda não entendo os milhares de estudos e o montante de grana que é gasto para pesquisas sobre os problemas que o álcool traz, e como ninguém se interessa em curar o problema da ressaca. Aquele gosto de cabo de guarda-chuva na boca, aquela sensibilidade vampírica à luz e o cérebro mais seco que uma uva passa poderiam ser resolvidos com uma única pílula, a esta altura do campeonato, se focassem a ponta certa do problema. Quantas pessoas seriam mais produtivas se, depois daquele fim de semana puxado, ou daquele choppinho depois do expediente de terça, se uma coisinha dessas existisse? Daqui conto pelo menos uma.

Por enquanto, só temos como nos apegar a padroeira dos pinguços: a Santa Dipirona.

Mas o pior de tudo é a tal da “ressaca moral”. Aquilo que começa com uma pequena sensação de “não sei o que fiz entre as dez e as três”, geralmente culmina com um “que merda eu fiz entre as dez e as três”. Se você tiver sorte, vai encontrar algum amigo que vai saber exatamente o porque de você não conseguir encontrar o seu celular, sua camisa e seus sapatos. Se tiver mais ainda, ele pode até saber onde você deixou sua dignidade e o porque de você ter dito tão alto para aquela sua amiga gostosa que tu é muito melhor que “o Zé-ruela do namorado dela”.

A bebida tem esse poder. Ela liberta aquele comichão, às vezes nem identificado, que fica quando aquele seu colega de trabalho otário conta rindo pacas àquela piada babaca sobre o anão e o cabrito no motel. A bebida, como já foi dito por outro, é a “alforria da alma”, tirando de dentro de nós tudo aquilo que estava pesando. Acha que tem a solução para o Flamengo? Fale mesmo. Sabe o que está de errado com a política externa da Bélgica? Grite e eles vão te ouvir. Aquela loira está sentada de frente para a 4 mesas de distância? Com certeza está a fim de você. Chame-a de gostosa, por que não?

Acho que ainda não esgotei completamente este assunto, e talvez volte a falar sobre ele em outra oportunidade, mas registro que acredito fielmente que um bom chopp num Informal ou no Caneco Gelado do Mário, resolveria de forma sincera e definitiva os problemas na Faixa de Gaza.

Mas só para garantir: um Engov antes e outro depois.

26 jan|2009



COMENTÁRIOS

  1. Mariana Custódio disse:

    Foram boas risadas naquele dia de revelações… rsrsrsrsrs
    Precisamos de um chopinho (ou vários) para as recordações!

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