Olhando para trás (ou “Olhando para frente”)

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1994Amigos não são escolhidos e ponto. Alguns são piores que parentes até, já que o determinismo sanguíneo nos impõe a convivência com certos indivíduos, mas a amizade te força a gostar de pessoas que você deveria ter vontade de matar. Não sei como é com vocês, mas tenho ódio mortal de boa parte dessas pessoas que tanto amo.


Não escolhi metade dos meus amigos. Na verdade, não me recordo de ter escolhido algum deles. E veja bem que, tenho a máxima e absoluta certeza (tenho consciência da redundância aqui, mas ela se faz necessária, então larga do meu pé) que não fui escolhido por eles. Algumas pessoas, em momentos de sapiência, até zarparam fora, quando tiveram chance. Sorte delas, aliás. Ou azar, vai saber…


Bom, o fato é que acabei, ao longo dos anos, angariando um grupo seleto de amigos, pequeno, mas fiel, que com todos seus defeitos, me aceitam com minhas imperfeições. Mesmo que, por dentro dessas fantásticas relações, um ou outro objeto já tenha voado em direção da minha cabeça e que eu já tenha sido xingado de todos os nomes possíveis (algumas vezes com razão), além de ter disputado atenções femininas, às vezes em situações que poderiam ser descritas como um “Vale Tudo Social” (onde só não valia chute no saco, mas furar olho não era crime).


Este ano, meu grupo de amigos mais antigo, está completando quinze anos, mas com corpinhos de trinta. Já fiz um texto sobre esse pessoal, num blog antigo, quando comemoramos 10 anos de amizade. Na época, estávamos saindo da adolescência e virando adultos, o que é engraçado lembrar, pois apesar dos pesares, ainda somos crianças.


15 anos depoisHoje, olho para estas figuras que, depois de idas e vindas (minhas aliás), se consolidaram como base de minha história. Ver minha amiga Serial Kisser, tornar-se – quem diria! – uma Amélia Moderna, e ver o meu amigo infantilóide tornar-se um pai de família responsável e ter seu próprio infante. Como se o roteiro se Mario Puzzo tivesse escrito “Vida de Solteiro”. Dá para acreditar que não tinha como ser de outra forma.


Se minha vida fosse um seriado, eu teria certeza que, depois da última temporada, trazer personagens do plot original era a coisa mais natural a acontecer. Com certeza, garantimos mais um ano.

25 mar|2009



COMENTÁRIOS

  1. Tenório disse:

    Quando eu penso que o rumo tá se perdendo, ou que não sou mais a mesma pessoa que antes, blá, blá, blá, eu olho pra essas figuras, entre novos amigos e solidão, eu olho bem pra essas figurinhas (em geral raras), e elas se chegam, ou me chego a elas…pronto! Nada mudou. E possso continuar seguindo.
    Como se nada (ou tudo) tivesse acontecido.
    Te amo meu irmãozinho!

  2. Laila disse:

    E realmente vc não escolheu os seus amigos… vc tentou fugir de dar a mão para a menina mais feia da classe e olha o pacote que veio junto… Eu, Daniel, Maciel e o resto da cambada toda ! hhahahhaha

  3. Laila disse:

    Assim você me faz chorar. Os níveis de audiência sempre ficam lá em cima quando voltam os personagens originais da primeira temporada.
    Amizade é isso, amar mesmo com todos os defeitos, aceitar as imperfeições, e saber que pode contar com aquela pessoa para tudo.
    Os anos passaram, mudamos muito – crescemos. Mas a essência continua a mesma viva desde aquele pai nosso em 1994. Beijoooos

  4. Curley, o Homem Mole disse:

    FODA DEMAIS parabéns pelo atrasado e espetacular post.

    bj

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