Envelhecer é algo complicado para todos, seja para o vovô-garoto-marombeiro, seja para a meu filho de 5 anos, seja para aquela tia que aplica botóx rigorosamente após escovar os dentes, seja para mim. Sim, pelo incrível que possa parecer, encarar cabelos brancos e marcas de expressão, que permanecem após a expressão ter acabado, também me tomam um tempo de reflexão.
Acho que o pior de tudo é que não me sinto adulto ainda. Não digo que sou imaturo, infantil, mimado ou qualquer coisa do gênero, mas achei que fosse ser diferente, sabe? Achei que me sentiria com certo poder e segurança que me permitiriam ter aquela elegante “falta de tempo” ou simplesmente uma expressão grave de quem toma decisões sérias a cada minuto. Ao invés disso, sou uma versão com filho e dinheiro de mim mesmo adolescente. Não, não sou mesmo um débil mental retardado, que mora com a mãe e acha que ainda tem 18 anos, quando tanto. Sim, eu moro com minha mãe, mas… Ah! Cale a boca um minuto que a explanação é minha.
Sim, eu achava que ser adulto era outra coisa qualquer. Talvez guiado por uma imagem antiga e americana do homem de família bebendo seu café sem açúcar e lendo seu jornal na “cadeira do papai”. Acho que sempre quis ser “tão responsável” a ponto de não gostar de videogame, quadrinhos e desenho. Enfim, ser um daqueles adultos clássicos e chatos de filme da Sessão da Tarde.
O grande lance é que não consegui jamais me sentir este adulto. Graças a Deus! E percebo que, talvez, isto tenha pouco ou nada a ver com meu jeito de ser mesmo, e sim com uma coisa que critico pacas: os vovôs-garotos e a velhas-tchutchucas.
Veja bem, como vou me mirar numa geração futura se o coroa fumador de cachimbo e leitor do “Jornal do Commércio” de ontem, virou o surfista garotão capa da Men’s Health e vai ao show da Pitty “bater cabeça”? Sério, como é que você pode envelhecer se a geração anterior está aí vendendo saúde?! Meu chefe, que não é nenhum menino, dia desses, estava assobiando Audioslave! Esta entendendo o que está acontecendo?! Dá uma saída em qualquer lugar da noite carioca e, ou os coroas tem um canto cativo ou estão soltinhos na pista como um bando de adolescentes enrugados enchendo a cara de whiskey com Red Bull! Isto, em parte, é a democratização que a calça jeans e a camisa Hearing trouxeram, acabando com a barreira de idade para vestuário. Na boa, o cara tem que ser “muito velho mesmo”, hoje, para usar aquela calça de linho dois palmos acima do umbigo e aquela camisa social de manga curta, sempre em cores surradas. Meu avô, que beira 80 anos, vive de camiseta e bermudão, cara!
Enfim, sem nenhuma grande guerra para nos tornar homens e com nossos sêniors andando por aí de QuickSilver e versados em Rappa, vou manter minha adolescencia, pelo menos, até tomar um esporro do meu filho.

Até eu chegar lá pra saber como é, aguardo mais notícias e dicas…
Por via das dúvidas encomendei um creme anti rugas pra mim…
Estou deprimido… meu pai me humilha todo domingo quando joga 3h de futebol!!!