O peso da idade
fev1
Neste ano de 2010, nós, os autores de blog, completaremos 30 anos. E você se pergunta, ok, e o kiko? Jamais tive problemas com esse lance de idade, sempre achei que iria encarar numa boa a chegada das rugas e da maturidade. Mas ao ver os 30 anos se aproximando vou te falar que não estou nem um pouco tranquila… Os 30 anos são um marco, se considerarmos que a expectativa de vida seria por volta de uns 60 anos já estamos com metade do caminho andado.
Quem diz que a idade não pesa é mentira, ou ainda não sentiu os quilinhos extras que ela carrega. A idade balzaquiana está chegando e sinto que já não sou mais a mesma, não consigo mais comer e beber do jeito que eu comia e bebia, parece que tudo fica mais lento, mais pesado e mais caído, achei 3 novas celulites…
Nesta terça feira na hora que vcs estiverem lendo as minhas bobeiras eu estarei encarando um exame de endoscopia. Essa semana fui no gastroenterologista e ao perguntar sobre quais os tipos de hábitos que fariam mal ao meu estômago ele me respondeu da seguinte forma: “minha filha, a igreja católica possui os 10 mandamentos e os gastros possuem os 13 mandamentos” . Ao ler o papelzinho dos “13 mandamentos”, eu resumi a apenas um: esqueça qualquer tipo de vida prazerosa.
Porque tudo que é bom é ilegal, é imoral, engorda e faz mal ao estômago.
O que está acontecendo?! (ou “Estou ficando velho e acabado”)
mar4
Me sinto velho. Sou nascido e criado no século passado e isto tem seu peso.
É impossível não ser um ranzinza precoce quando a geração seguinte é tão imbecil quanto esta que esta aí. Sim, eu sei que esta é a justificativa de toda geração anterior. Provavelmente, meus pais e avós disseram isso, mas a base da vida adulta é ter certeza que a juventude está perdida e que na sua adolescência o consumo de drogas e álcool era menor, as músicas eram melhores, não havia tanta violência e que homens não usavam maquiagem.
Quando começou o revival oitentista, pensei que, enfim, estávamos salvos. Mas não ouve nada além de um bando de festas com musicas velhas, criando bailes da terceira idade para pessoas de 30 anos.
Vivemos, hoje, na ditadura do “Politicamente Correto” e pelo incrível que pareça, para mim as coisas desandaram de vez. Não sou um cara preconceituoso, mas já reparou que, se na nossa época, por exemplo, tínhamos os Trapalhões abusando de caricaturas e caindo em cima de estereótipos, ou a TV Pirata anarquizando a classe média brasileira, hoje, temos programas humorísticos que abusam da inteligência, contando a mesma piada todo sábado, tentando não ofender a ninguém. Amigos, infelizmente, acredito que qualquer humor que valha a pena tem que potencialmente (esta palavra é importante) ofender a alguém. Antes de atirarem, pensem nisso.
Menos ainda sou sensível. Cresci com Stallone e Schwarzenegger (é assim mesmo que escreve) surrando, empalando, fuzilando, desmembrando, carbonizando, defenestrando e matando todo tipo de gente em todo tipo de lugar. Vi Rocky Balboa ser esmurrado até parecer um chinês. Vi o Predador usar vários tipos de armas alienígenas e o Alien explodir o peito de um coroa na mesa de jantar. E nem por isso sou um psicopata hediondo ou tenho acessos violentos. A gurizada de hoje, vive com uma censura incrível. Qualquer coisa é suficiente para que suas frágeis cabecinhas fiquem eternamente traumatizadas.
Também não sou retrogrado, mas já tentaram ouvir alguma rádio que seja moda entre os descerebrados de 12 a 18 anos? Primeiro que resolveram que todos as bandas terão nome de celular. Vai se saber, mas é um tal de FDP24, R2D2 ou PQP76. E todos são a mesma bosta de Emocore. Cara! Na minha época (acabei de sentir minha artrite), eram os caras maus que se maquiavam!!! Era gente do Kiss, Alice Cooper, The Cure, Ozzie Osbourne e Twister Sister. Ok! Esqueça Twister Sister. Meu erro. Mas o que quero dizer é que até nossos frescos eram mais homens (não, não estou falando do Twister Sister). Hoje, uma cambada de molecote que cresceu tomando “leite com pêra e ovo maltino” e se acham portadores de uma sensibilidade impar e de todas as dores do mundo, resolveu que a melhor forma de expressar isso é pôr delineador, pintar as unhas e cantar a versão hardcore do repertório de Aguinaldo Timóteo e Odair José. E isso quando sabem cantar!
Por fim, não sou hipócrita. Cada um dá o que eu seu. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Mas, precisamos ter um giga sigla para agrupar a numerosa minoria dos não-heterossexuais? Quer dizer, gay pode ser pejorativo, homossexual é muito genérico (ou não) e GLS parece não ser mais suficiente. Então temos, hoje, LGBT para enquadrar mais tipos. Meu receio é que são tantos tipos que, se continuarmos nesta linha, o alfabeto romano não vai ser suficiente. E reparem que os “Simpatizantes” foram excluídos. Ou você está dentro, ou está fora, bofe.
Bom, o texto ficou enorme e minha amargura com este assunto daria uns dois livros e um filme. Ter um filho pequeno faz com que você fique assim, vai por mim. E o que me resta é educar e rezar para que, no futuro, ao ser chamado de careta e antiquado pelo meu moleque, ele não se refira a mim como “Miguxo”.
