Um assunto de peso (ou “Comida é pasto”)

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Aos 17 anos, eu inventei um megaburguer – sutilmente batizado por mim de “Windowmaker” (ou “Infarto triplo com queijo”, em uma tradução livre) – que levava no mínimo 03 carnes, 02 ovos fritos, queijo a gosto, presunto passado na chapa, cebola frita na manteiga e no molho shoyu, bacon em tiras, maionese e mostarda. Não, eu não usava catchup. Isso era arrematado com meia garrafa de Coca-Cola, sem que eu saísse da cozinha, geralmente ainda em pé, debruçado sobre a pia. Nessa época, meu metabolismo era meu aliado e eu ainda o ajudava fazendo exercícios regulares. E aí, nós brigamos.

Acredito piamente que o sedentarismo é um estilo de vida, uma forma de ver o mundo e uma maneira de se relacionar com as pessoas e com Deus. E como toda religião tem seu preço, isso me rendeu alguns 20 quilos a mais nos últimos anos, o que não teria problema nenhum, caso eu tivesse crescido uns 20 centímetros também. E isso não aconteceu.

Seguindo a maravilhosa ditadura da beleza, imposta pela nossa venerável e grandiosa sociedade ocidental, “resolvi” perder peso, aproveitando um embalo que tive, e abri mão de algumas coisas, como massas, doces – em especial o chocolate (que é o top of mind dos gordinhos) – , refrigerante e tudo mais que enche a vida de sabor e alegria. É científico que quem decide entrar numa dieta, perde 47% do gosto pela vida. Pode procurar, isto já foi comprovado.

Não se pode acusar uma pessoa de dieta de estar mal humorada. Toda vez que tenho vontade de pegar de frente um chocolate meio amargo (com menta) da Hershey’s e um copo de 700ml de Coca-Cola (e me refiro a um copo específico que tenho para estas ocasiões), eu vou até a cozinha, escolho uma porcaria de barra de cereal (nos fantásticos sabores: Serragem com Avelã, Areia de Gato com Chocolate ou Isopor com Banana Passa) e rôo aquilo, me imaginando num bunker, para que meu cérebro possa computar aquele sofrimento auto imposto como necessidade extrema. Este método tem evitado uma depressão por conta da dieta, mas tem criado alguns traumas de guerra.

Vale lembrar que o corpo humano, considerado uma criação divina e a máquina mais perfeita que existe, registra seu maior peso como o peso ideal. Isto acontece porque esta máquina maravilhosa ainda acredita que estamos no tempo das cavernas e que emagrecer significa que a comida está em falta, então dificulta a perda de peso e te dá uma série de sinais para lembra-lo que a situação não está agradando. Com isso, ficam os dois de mal humor, porra! Se cada um cuidasse do seu! Mas não! O lazarento entra em desespero e me lembra que tudo que gosto é repleto de carboidrato! Me lembra que fazem dois meses, 3 dias, 6 horas e 27 minutos que não como Doritos… aiai… Doritos é o tipo de coisa que me faz parecer o cão de Pavlov…

Isto seria mais suportável se eu não fizesse minhas refeições noturnas na mesma mesa que meu irmãozinho mais novo. Jantar com meu irmão é uma das coisas que me desperta mais ódio no mundo. O desgraçado parece uma draga comendo, se entupindo de tal forma que parece estar atrasado para o corredor da morte e seu peso não se altera em nada.

Gente que não engorda, me irrita profundamente. Até mais do que o falecido Banerj e até mais que cruzar a ponte Rio-Niterói, em pé, no 100 lotado(se você não sabe nem o que é um 100 lotado, agradeça a Aláh e me dê o endereço do seu Pai de Santo).

Enfim, estou andando na praia por quase 2 horas todos os dias, faço uma alimentação pseudobalanceada, sem comer carboidratos após a 6 da tarde, e bebo em torno de 3 litros de água por dia. Estou um chato de galochas de marca maior.

Mas um chato de galochas que está cabendo em calças antigas número 44.

16 fev|2009



COMENTÁRIOS

  1. tati disse:

    Estou adorando ler seu blog! Olha, tb estou na dietinha… Cortei o glúten durante a semana (mais explicações científicas no gtalk) e as coisas gostosas tipo cerveja e doritos, tb preferidos lá em casa. Ah, uma coisa que funciona é o vigilantes do peso. Vc pode comer chocolate, acredita? e emagrece. Eu já fiz e deu certo!

  2. Laila disse:

    Comida lactovegetariana indiana? Maciel virou viado assumido e vai pro scala gay esse ano…

    Fábio, adorei o blog, sinto falta desse meu velho amigo em suas verdadeiras raízes…

    Beijooooos

  3. Maciel disse:

    Hahahauhahahahahahaha
    Eu me orgulho de ter sido apresentando à junkie food e ao bacon por essa sua invenção! A parte que cita que devora ainda em pé, debruçado sobre a pia me trouxe boas lembranças. Ou não lembras que tinha seu amigo logo ali ao lado? Tempo bom. Pra vc ver… agora eu como comida lactovegetariana indiana. É mole?

    Adorei o post! Li como se saboreasse aquele sanduba!

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